segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Escravidão
A melhor forma de escravizar alguém é não permitindo que ela pense.É fazendo com que ela obedeça somente à suas vontades e instintos. Assim, ela depois de algum tempo, alienar-se-a de sua condição humana, passará a se comportar como um ser irracional, obedecendo a comandos inertes. E de onde virão esses comandos? Ora, dos arautos da informação, do entretenimento, dos donos da verdade, dos sábios... dos construidores de sonhos, dos alimentadores de ignorância... Quem são eles? Descubra você mesmo.
Realidade ???
Pão e Circo para o povo. Essa é a melhor forma de manter as mentes estagnadas. A melhor forma de não deixar as pessoas pensarem. É a melhor forma de escravizar; sem chocar as massas. É a morte em vida. Mais ninguém quer saber disso; isso é coisa de filosofo louco. O importante é a novela, o futebol, a cervejinha,o tênis e a roupa de marca... e a vida...
Comum e Natural ?
Qual a diferença entre algo comum e algo natural? Ou são a mesma coisa? Esse vídeo mostra uma realidade comum à população africana e às periferias das grandes cidades: a fome a miséria. Seres humanos vivendo em situação degradante, sem o que comer, sem moradia...sem ter a consciência de quem são, se comportando de forma não humano em sua sexualidade, em sua vivencia social,em suas formas de lazer... é comum ou natural?
Passeio Socrático
Passeio
Socrático e artigos de Frei Betto
Ao
visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em
Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza,ele não conheceu
a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.
“Quem
trouxe a fome foi a geladeira”, disse.
O
eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes,
sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da
população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria
figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é
inelutavelmente insaciável.
É
próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o
alimento que ingere. A refeição exige preparo,criatividade, e
a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um Atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.
a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um Atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.
Trata-se
de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou
sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx
já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos “Manuscritos econômicos e
filosóficos” (1844), ele constata que “o valor que cada um possui aos olhos do
outro é o valor de seus respectivos bens.
Portanto,
em si o homem não tem valor para nós.” O capitalismo de tal modo desumaniza que
já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que
me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor
social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro
da pobreza e à cultura da exclusão.
Para
o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em
comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação
matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua
uma
árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém
Mas
quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na
adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades
tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da
grife.
Não
se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma
Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais
horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata
borralheira transforma-se em cinderela…
Somos
consumidos pelas mercadorias à medida que essa cultura neoliberal nos faz acreditar
que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que
pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora
indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos
transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o
sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não
importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados,é alçada ao
altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida
com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões,
cargos etc. Comércio deriva de “com mercê”, com troca. Hoje as relações de
consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas.
Outrora,
a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o
comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda
ocorre na feira.Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a
gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da
falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. “Nada poderia ser maior
que a sedução” – diz Jean Baudrillard -”nem mesmo a ordem que a destrói.”
E
a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira
o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja.
Vou
com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e
contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam
indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo.
indagando se necessito algo. “Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático”, respondo.
Olham-me
intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos
antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E,
assediado por vendedores como vocês,
respondia:
respondia:
”
Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”.
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