Em conclusão, verifica-se que o método educacional de Paulo Freire está essencialmente vinculado a uma ideologia, isto é, a uma visão filosófica que tende a transformar a sociedade, induzindo nesta uma autêntica subversão. É o próprio Paulo Freire quem o afirma numa entrevista publicada em “Veja” (20/06/79); o repórter aventou a hipótese de que a educação de Freire fosse um método “assexuado”, neutro, descomprometido com qualquer ideologia. Ao que P. Freire respondeu :
“Quem disse isso, ou não entendeu nada ou está de má-fé. Em meu método, parte-se do conhecimento do meio em que se vai desenvolver a experiência de educação. Toma-se em consideração o universo vocabular do grupo em questão, as palavras que são utilizadas todos os dias e que exprimem a vida cotidianas daquelas populações. Desse universo vocabular são escolhidas as palavras geradoras. Estas palavras encontram em si os temas de discussão que deverão corresponder aos interesses dos alfabetizados e deverão constituir o primeiro passo, por meio da discussão em grupo, em direção a uma tomada de consciência individual e coletiva dos problemas discutidos. Esse aspecto puramente mecânico poderá ser utilizado por qualquer pessoa: tirar uma palavra geradora de um universo vocabular também pode ser feito por alguém que pretenda mistificar a realidade e a consciência dessa realidade. De minha parte, o conhecimento de uma realidade, que vai sendo construído pouco a pouco a partir da experiência dos alfabetizandos, está intimamente ligado à consciência crescente da capacidade de mudar essa realidade. Conhecer para transformar, é este o objetivo. O que ficou sendo conhecido como Método de Alfabetização Paulo Freire, não é algo que se possa reduzir a um aprendizado meramente lingüístico. Trata-se de aprender a ler a realidade – conhecê-la – para em seguida poder reescrever essa realidade – transformá-la”.