terça-feira, 4 de março de 2014

Da Cultura de Massa à Arte...caminhos

O que é Arte?!

O que é Estética?

A estética é um ramo da filosofia que se ocupa das questões tradicionalmente ligadas à arte,como o belo, o feio, o gosto, os estilos e as teorias da criação e da percepção artísticas.
Do ponto de vista estritamente filosófico, a estética estuda racionalmente o belo e o sentimento que este desperta nos homens. Dessa forma, surge o uso corrente, comum, de estética como sinônimo de beleza. É esse o sentido dos vários institutos de estética: institutos de beleza que podem abranger do salão de cabeleireiro à academia de ginástica.
A palavra estética vem do grego aisthesis e significa "faculdade de sentir", "compreensão pelos sentidos", "percepção totalizante". Assim, a obra de arte, sendo, em primeiro lugar, individual, concreta e sensível, oferece-se aos nossos sentidos; em segundo lugar, sendo uma interpretação simbólica do mundo, sendo uma atribuição de sentido ao real e uma forma de organização que transforma o vivido em objeto de conhecimento, proporciona a compreensão pelos sentidos; ao se dirigir, enquanto  conhecimento intuitivo, à nossa imaginação e ao sentimento (não à razão lógica), toma-se em objeto estético por excelência.Ou seja a arte é objeto de estudo da Estética.


O que é Arte?
— Em museu só tem velharia.
Ah, não adianta ir a museus, porque eu não entendo nada de arte.
Arte moderna, nem pensar. Esses caras fazem uns rabiscos, uns borrões e dizem que é arte moderna.
— E as esculturas? Amarram uns arames e ganham prêmios.
Arte é interpretação do mundo, Arte antiga, arte contemporânea, artesanato, arte popular, arte figurativa, arte abstrata. Que confusão! Tudo é arte? Ou só o que está no museu? Quem escolhe o que vai para o museu?
Vamos tentar começar do começo, estabelecendo algumas distinções e respondendo a uma pergunta de cada vez. Em primeiro lugar, deixemos de lado essas divisões da arte e pensemos um pouco sobre arte como forma de o homem marcar sua presença, criando objetos (quadros, filmes, musicas, esculturas, vídeos etc.) que oferecem uma interpretação do mundo tanto quanto uma frase. Só que em vez de dizer as coisas são assim, ele mostra, através da sua criação, que as coisas podem ser assim. Esta, então, é uma das primeiras características da arte: o objeto artístico fala à nossa imaginação, deixa ver/ouvir/sentir o que poderia ser. E, desse ponto de vista, não existe arte verdadeira
e arte falsa. Não existe mentira em arte. Porque a arte não existe para mostrar a realidade como ela é,ela pode fazer isso também, mas como pode ser. E as faces do poder ser são muitas. Daí, muitos tipos de arte.Por isso música,arquitetura, pintura, grafite, escultura, um filme, um programa de TV, teatro...são arte.
Aprofundando um pouco esta idéia, vemos que, no mundo atual, a função da arte e o seu valor não estão no copiar a realidade, mas sim na representação simbólica do mundo humano. Assim, a arte também é um dos modos pelos quais o homem atribui sentido à realidade que o cerca, e uma forma de organização que transforma a experiência, o vivido, em objeto de conhecimento, sendo, portanto, simbólica. Mas como se dá esse conhecimento?
Do lado do artista que cria a obra, ele parte da intuição, isto é, do conhecimento imediato da forma concreta e individual da experiência para a simbolização desse conhecimento em um objeto que também é concreto, sensível e individual. Do nosso lado, de observadores, de público da obra de arte, fazemos o caminho inverso: partimos da obra para chegar ao conhecimento de mundo que ela contém. Esse percurso não é fácil. Exige treino da sensibilidade, disponibilidade para entendê-la e algum conhecimento de história e história da arte. E como se chega aí? A sensibilidade só pode ser treinada através da familiaridade com muitas, com inúmeras obras de arte. Daí a importância dos museus, que reúnem e conservam várias obras, para que as pessoas possam ir adquirindo essa familiaridade com estilos, materiais, meios e modos diferentes de fazer arte. A disponibilidade é o deixar os preconceitos de lado ("não entendo nada de arte"; "arte moderna é um monte de rabiscos"; "esses borrões até eu faço" etc.), é o despir-se de frases feitas e do medo de fazer papel de bobo. É assim mesmo. Sempre que estamos diante de alguma coisa que não conhecemos ou não conseguimos entender, nossa reação é de negação e de afastamento por termos medo de fazer papel de bobo! A disponibilidade é isso: o querer entender, o deixar que a obra revele os seus sentidos a nós, por mais diferentes e inesperados que eles possam ser.
Gosto se discuti, se educa ou se lamenta?
A questão do gosto não pode ser encarada como uma preferência arbitrária e imperiosa da nossa subjetividade. Quando o gosto é assim entendido, nosso julgamento estético decide o que preferimos em função do que somos. E não há margem para melhoria, aprendizado, educação da sensibilidade, para crescimento, enfim. Isso porque esse tipo de subjetividade refere-se mais a si mesma do que ao mundo dentro do qual ela se forma. Se quisermos educar o nosso gosto frente a um objeto estético, a subjetividade precisa estar mais interessada em conhecer do que em preferir. Para isso, ela deve entregar-se às particularidades de cada objeto.
Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento sem preconceitos. É deixar que cada uma das obras vá formando o nosso gosto, modificando-o. Se nós nos limitarmos àquelas obras, sejam elas música, cinema, programas de televisão, quadros, esculturas, edifícios, que já conhecemos e sabemos que gostamos, jamais nosso gosto se ampliará. Acharemos que gostamos sempre das mesmas coisas.E isso é se manter na ignorância.
O Belo e o Feio

Vejamos, agora, as questões relativas à beleza e à feiúra.
Será que podemos definir claramente o que é a beleza, ou será que esse é um conceito relativo, que vai depender da época, do país, da pessoa, enfim? Em outros termos, a beleza é um valor objetivo, que pertence ao objeto e pode ser medido, ou subjetivo, que pertence ao sujeito e que, portanto, poderá mudar de indivíduo para indivíduo?
As respostas a essas perguntas variaram durante o decorrer da história.
De um lado, dentro de uma tradição iniciada com Platão (séc. IV a.C), na Grécia, há os filósofos que defendem a existência do "belo em si", de uma essência ideal, objetiva, independente das obras individuais, para as quais serve de modelo e de critério de julgamento. Existiria, então, um ideal universal de beleza que seria o padrão a ser seguido. As qualidades que tornam um objeto belo estão no próprio objeto e independem do sujeito que as percebe.
Levando essa idéia a suas últimas conseqüências, poderíamos estabelecer regras para o fazer artístico, com base nesse ideal. E é exatamente isso que vão fazer as academias de arte, principalmente na França, onde são fundadas a partir do século XVII.
Defendendo o outro lado, temos os filósofos empiristas, como David Hume (séc. XVIII), que relativizam a beleza, reduzindo-a ao gosto de cada um. Aquilo que depende do gosto e da opinião pessoal não pode ser discutido racionalmente, donde o ditado: "Gosto não se discute". O belo, dentro dessa perspectiva, não está mais no objeto, mas nas condições de recepção do sujeito. Kant, ainda no século XVIII, tentando resolver esse impasse entre objetividade e subjetividade, afirma que o belo é "aquilo que agrada universalmente, ainda que não se possa justificá-lo intelectualmente". Para ele, o objeto belo é uma ocasião de prazer, cuja causa reside no sujeito. O princípio do juízo estético, portanto, é o sentimento do sujeito e não o conceito do objeto. Apesar de esse juízo ser subjetivo, ele não se reduz à individualidade de um único sujeito, uma vez que todos os homens têm as mesmas condições subjetivas da faculdade de julgar. É algo que pertence à condição humana, isto é, porque sou humano, tenho as mesmas condições subjetivas de fazer um juízo estético que meu vizinho ou o crítico de arte. O que o crítico de arte tem a mais é o seu conhecimento de história e a sensibilidade educada. Assim, o belo é uma qualidade que atribuímos aos objetos para exprimir um certo estado da nossa subjetividade, não havendo, portanto, uma idéia de belo nem regras para produzi-lo. Existem objetos belos que se tornam modelos exemplares e inimitáveis.
Hegel, no século seguinte, introduz o conceito de história. A beleza muda de face e de aspecto através dos tempos. E essa mudança (chamada devir), que se reflete na arte, depende mais da cultura e da visão de mundo presentes em determinada época do que de uma exigência interna do belo.
Hoje em dia, numa visão fenomenológica, consideramos o belo como uma qualidade de certos objetos singulares que nos são dados à percepção. Beleza é, também, a imanência total de um sentido ao sensível, ou seja, a existência de um sentido absolutamente inseparável do sensível. O objeto é belo porque realiza o seu destino, é autêntico, é verdadeiramente segundo o seu modo de ser, isto é, é um objeto singular, sensível, que carrega um significado que só pode ser percebido na experiência estética. Não existe mais a idéia de um único valor estético a partir do qual julgamos todas as obras. Cada objeto singular estabelece seu próprio tipo de beleza.

O feio
O problema do feio está contido nas colocações que são feitas sobre o belo. Por princípio, o feio não pode ser objeto da arte. No entanto, podemos distinguir, de imediato, dois modos de representação do feio: a representação do assunto "feio" e a forma de representação feia. No primeiro caso, embora o assunto "feio" tenha sido expulso do território artístico durante séculos {pelo menos desde a Antigüidade grega até a época medieval), no século XIX ele é reabilitado. No momento em que a arte rompe com a idéia de ser "cópia do real" e passa a ser considerada criação autônoma que tem por função revelar as possibilidades do real, ela passa a ser avaliada de acordo com a autenticidade da sua proposta e com sua capacidade de falar ao sentimento.
E só haverá obras feias se forem malfeitas, isto é, se não corresponderem plenamente à sua proposta. Em outras palavras, quando houver uma obra feia, nesse último sentido, não haverá uma obra de arte.

Gosto se discuti, se educa ou se lamenta?
A questão do gosto não pode ser encarada como uma preferência arbitrária e imperiosa da nossa subjetividade. Quando o gosto é assim entendido, nosso julgamento estético decide o que preferimos em função do que somos. E não há margem para melhoria, aprendizado, educação da sensibilidade, para crescimento, enfim. Isso porque esse tipo de subjetividade refere-se mais a si mesma do que ao mundo dentro do qual ela se forma.
Se quisermos educar o nosso gosto frente a um objeto estético, a subjetividade precisa estar mais interessada em conhecer do que em preferir. Para isso, ela deve entregar-se às particularidades de cada objeto.
Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento sem preconceitos. É deixar que cada uma das obras vá formando o nosso gosto, modificando-o. Se nós nos limitarmos àquelas obras, sejam elas música, cinema, programas de televisão, quadros, esculturas, edifícios, que já conhecemos e sabemos que gostamos jamais nosso gosto se ampliará. Acharemos que gostamos sempre das mesmas coisas.E isso é se manter na ignorância.

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